• Ana Melo Dias

9 passos para ajudar você a enfrentar seus medos e sair da zona de conforto


Medo, quem nunca sentiu essa emoção? O medo não é de todo ruim, pelo contrário ele é uma emoção necessária à nossa sobrevivência, provavelmente, é um dos grandes responsáveis por estarmos vivos hoje. O problema é que o ser humano se tornou um especialista em ficar na zona de conforto, a zona ilusoriamente mais estável e fácil, que nos faz sentir protegidos diminuindo nosso medo. Digo ilusoriamente porque a mudança é a única certeza que podemos ter na vida, não é verdade? Ou não nascemos, crescemos, mudamos e mudamos até o fim? Mudamos constantemente, a gente queira ou não.

Bem, mesmo sabendo que a mudança não é uma opção, mas uma condição da vida, é bastante comum termos medo dela. Percebo que é este medo que, muitas vezes, barra as pessoas de conseguirem o que realmente desejam. As pessoas me procuram normalmente porque querem mudar algo, às vezes estão perdidas, às vezes já sabem o querem mas falta o como, às vezes falta muito pouco. Mas em todos os processos há mudança e uma coisa sempre precisará aparecer: a coragem de mudar. E pode ser mudar de lugar, de trabalho, de relacionamento, até mesmo mudar a forma como se vê, não importa, para atingir um sonho a coragem vai precisar aparecer.

Por isso hoje, eu queria dividir uma história pessoal que ilustra o assunto do medo e da coragem, porque foi a partir dela que percebi que mesmo medrosa como já fui e ainda sou, a coragem não tem relação com não sentir medo, mas sim com não parar diante dele.

Há dois anos eu estava na minha viagem de lua-de-mel, quando chegamos à cidade de Pucón no Chile, meu marido já tinha me contado que nessa cidade existia um vulcão o Villarrica e que ele queria conhecer e tal. E eu ouvindo pensava “Ok, vamos conhecer o vulcão, desde que ele não entre em erupção comigo lá”. Foi até que então, marcamos a visita em uma agência e aos poucos fui descobrindo que a subida não era de carro e tão pouco fácil como imaginava. Na noite anterior à subida resolvi pesquisar mais e foi quando comecei a me desesperar, haviam muito relatos falando da dificuldade da subida e histórias de pessoas que se perderam no caminho e morreram, enfim eis que surge um medo gigantesco.

Chega o fatídico dia, eu já estava muito nervosa! Na minha lua-de-mel tudo que eu queria era o divórcio do meu marido louco que me levou para subir um vulcão, hahaha, mas como era algo que ele queria muito fazer, resolvi encarar pelo menos o início. Nos equipamos, encontramo-nos com os três guias e a turma que faria a subida com a gente. O dia estava lindo para nossa sorte, todos os outros dias ficaram e iriam ficar nublados e chuvosos, o que seria um empecilho à subida.

Começamos a subir em meio a lavas resfriadas de vulcão, a sensação é de estar subindo dunas de areia, o seu pé afunda na lavra solta e a subida não rende, um metro começa a ser uma distância longa. Vencemos a primeira parte, a que seria considerada a mais fácil, a partir da segunda parte seria neve, usaríamos as botas com trava e o machadinho para fazer o buraco da pisada no gelo. Eu já estava exausta, principalmente, psicologicamente, e cheguei a falar com o guia que iria desistir. Ele insistiu, disse que faltava pouco e a vista ficaria mais bonita. Claro, ele me enganou, faltava muito e depois dali eu não poderia mais voltar, teria que ir até o fim.

Foi muito, muito difícil para mim, fisicamente eu poderia dizer que estava razoável, estava com um condicionamento legal, havia feito bastante fortalecimento antes de viajar, não pela subida, mas como tratamento de joelho e saúde mesmo. Mas mentalmente eu estava em total desespero, por ser minha primeira experiência com neve tinha imagens na cabeça que me davam a certeza que morreria ali mesmo, despencando morro a baixo. Mas, como havia dito, não dava para desistir mais, a partir daquela etapa ou subia ou subia. Chegou uma hora, e eu me lembro nitidamente desse momento, porque olhava para baixo e só pensava no quanto estava difícil andar na neve, que disse para mim mesma: “Ana, só mais um passo, é só isso”, e fiquei repetindo isso para mim, várias e várias vezes: “você só precisa dar mais um passo”. Veio também algumas músicas na cabeça, como a do Skank “andar com fé eu vou” e até a da Dory do desenho Procurando Nemo “continue a nadar, continue a nadar, para achara a solução” hahaha, cantava baixinho, juro!

Foi assim, com só mais um passo, que mesmo em quase prantos e com a ajuda do santo guia, que percebeu meu desespero, que cheguei no topo do Villarrica. E gente, é realmente lindo, a paisagem é sensacional e poder ver um vulcão de cima com a lava lá embaixo, é verdadeiramente inesquecível. Mas ainda não tinha acabado, tinha a volta e como disse, psicologicamente, eu não estava bem, mas mais uma vez o guia me salvou, pegou na minha mão e disse em espanhol saltitando na neve: “não precisa ter medo, olha! É fácil a descida, se diverte, Ana! ” Realmente, a descida foi muito divertida e eu pude curtir pela primeira vez.

Quando saímos da neve, no fim da descida, eu estava tão, tão, tão feliz que tinha conseguido, que queria era gritar muito de tanta felicidade. Para terem uma ideia eu não consegui dormir mesmo depois de 7 horas intensas, onde 5 horas, 2.874 metros, foram só de subida. Eu queria era dizer para o mundo, mas principalmente, para mim, que eu consegui subir o vulcão! Gravei vídeos para minha família, agradeci a Jodelle, minha treinadora de Itaúna, e especialmente, meu marido maluco que esteve comigo todo o tempo e com o qual continuo casada, hahaha!

Gente, sério, foi estranhamente um dos melhores dias da minha vida! Aquele dia foi divisor de águas para mim. Eu acredito que não conseguirei expressar por aqui o que significou, mas para alguém que aos 5 anos tinha medo do escuro, que descia da bicicleta toda vez que tinha um morro muito íngreme, e que achava caminhada na avenida principal da cidade um esforço físico... conseguir subir aquele vulcão foi uma das melhores coisas que já me aconteceram. Eu provei para mim que era realmente capaz de coisas que não podia imaginar!

Essa experiência foi tão significativa que pelo menos uma vez por ano, eu e meu marido nos desafiamos. Já foi corrida de 10 km, depois 16 km, mergulhos no mar e no rio, fazer caminhadas em lugares pedregosos, saltar de plataformas, ficar sem comer açúcar, segurar em cobra de verdade... esse ano foi a vez da travessia Petrópolis-Teresópolis, mais difícil para mim que o Vulcão, mas é outra história, e temos a meta da meia maratona ainda este ano. Fora os desafios que a vida não lhe permite escolher, apenas lhe "enfia goela abaixo" e seu papel é aprender e continuar a andar.

De verdade, eu tenho aprendido tanto ao me desafiar! E veja, cada pessoa tem seu próprio desafio na vida, pode ser mudar de emprego, de cidade, começar outra faculdade, subir um vulcão, emagrecer, não importa. Evoluir talvez seja sobre enfrentar novos desafios e aprender nesse processo. Hoje eu percebo algumas etapas a serem seguidas que podem ajudar quando se propõe um novo desafio, e que gostaria de compartilhar, não como uma fórmula mágica, mas no sentido de que possa refletir sobre eles e quem sabe levar para o seu momento, sua vida. Resumi em 9 passos para facilitar:

Passo 1. Seja responsável. Não se engane, aceitar desafios não quer dizer ser irresponsável e se meter em enrascadas, antes de tudo é preciso conhecer seus limites, seja físico, emocional, financeiro.

Passo 2. Prepare-se. Alguns desafios lhe pegarão de surpresa, mas para aqueles que escolher fazer ,o ideal é se preparar, prever situações, balancear as limitações.

Passo 3. Cerque-se de pessoas e instrumentos que irão lhe auxiliar nos momentos difíceis, ou seja, sabendo seus limites busque pessoas, técnicas, estruturas que lhe darão suporte quando precisar superar suas dificuldades. Como foi no meu caso com os guias e os equipamentos que eu tinha durante a subida, sem isso eu provavelmente não teria conseguido ou teria me machucado.

Passo 4. Vá progressivamente, passo a passo, etapa por etapa, avalie suas condições, peça ajuda se estiver difícil. “Só mais um passo” quer dizer que é mais fácil quando você divide sua meta. Se a gente olha para cima e enxerga que o topo está longe, tudo que vai querer é desistir. Olhe para as etapas, para os passos, são eles que você precisa dar atenção.

Passo 5. Tente! Escolha pelo menos começar, parece óbvio, mas, normalmente, é aí que muita gente desiste! Foi sempre nesse passo que eu parava, dizia para mim que era arriscado demais e não me permitia ser tudo que posso. Nem que vá ajustando seus próprios desafios ou que vá lentamente, comece a encarar seus medos, vai valer a pena porque você sempre sairá mais forte.

Passo 6. Mesmo sendo difícil, não pare! Continue a nadar! Se não conseguiu de primeira, faça ajustes, cerque-se de mais pessoas e/ou equipamentos, mas não pare, se parar o medo vence e aumenta, refletindo em todas as áreas da sua vida!

Passo 7. Tenha um bom motivo para enfrentar seus medos. Isso é importante, quanto mais você souber o motivo pelo qual deseja enfrentar isso, mais forte você vai ficar nas horas que o desespero vier e você quiser desistir. Quando tiver a real consciência do que desperta suas motivações, você vai conseguir fazer coisas ainda maiores, que nem imagina!

Passo 8. E não menos importante, comemore suas vitórias! Você merece comemorar! Eu tenho a memória exata da minha alegria na descida do vulcão, e toda vez que preciso, consigo resgatar essa memória e me animar!

Passo 9. E por fim, depois que terminar um, comece outro desafio ainda maior, porque a vida não para e precisa que você esteja evoluindo!

Eu tenho uma frase que me acompanha e que faz muito sentido para mim que é “A vida recompensa quem tem coragem de vivê-la." Realmente, acredito nisso, porque no fim esse é o desafio de todos nós, apenas conseguir viver. E se mudar não é uma escolha, por que não fazer as mudanças que tanto queremos? Por que viver na zona de conforto se ela é só uma ilusão? Escolher não mudar a gente não pode, mas escolher a direção da nossa mudança e decidir que iremos aprender durante o processo, isso é possível.

Faz sentido para você?

#bemestar

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