• Ana Melo Dias

A ilusão da escolha profissional única: contando a história de Gabriel



Aos 17 anos, muitos jovens enfrentam a difícil escolha sobre qual faculdade se inscrever. Um jovem fez teste profissional, vamos chamar ele de Gabriel. Gabriel conversou com a família, pesquisou, olhou a nota do ENEM, comparou e entrou na faculdade! Parabéns! Ele decidiu o que fazer para o resto da vida! Eita! Será? Quatro anos se passam e descobre que a faculdade nada mais é que um sobrevoo sobre várias outras áreas. Logo, logo terá que escolher em qual seguir para conseguir o primeiro estágio. E agora? Que aflição gente! Gabriel fechou os olhos, respirou e foi, ele se jogou na vaga que abriu. Boa, Gabriel!


Aos vinte e poucos, talvez, vinte e quatro anos, ele até que experimentou a área, gostou de algumas coisas, outras não. Começou a se perguntar se queria isso para vida toda, como aguentar a parte chata por tanto tempo? Pegou se sentindo estranho, duvidoso. Por volta dos vinte e sete anos, quase trinta... ele dá um basta! Chegou à conclusão que definitivamente precisa de algo novo. E se pergunta por onde ir: ­- “Será que peço aumento? Não, vou sair da empresa! Hum...abrir uma? Prestar consultoria? Mudar de carreira? Mudar um pouco? Mudar totalmente?”.


Pronto, resolve fazer uma pós, melhor um MBA, vai poder conhecer mais gente, vai saber mais do mercado. Nossa! Ele descobre um novo mundo, novas áreas! O mercado está se transformando, ele precisa acompanhar! E agora sim, resolve fazer alguma mudança, trocou de área!


Depois de decidir, por volta dos trinta e cinco, Gabriel se sente mais seguro. Quarenta, agora esse profissional tem certeza de que é esse o caminho, Gabriel tem um propósito, é isso, ele está realizadão! Ops, não... um incomodo começou pequenininho, o que é? Ele ainda está em dúvida? Talvez... vai querer mudar não só de área, agora é de empresa. Oh! De casa também, quer ficar mais perto da família. Os cinquenta se aproximam, cansou de mudar, vai ajudar um trabalho social, é isso? Ele está tranquilo... Eita, por pouco tempo... A companhia vai mudar de dono, todos vão ser transferidos! O que eu faço? Tarde demais para recomeçar? E agora?


Sessenta, ele deu um jeito, é consultor! Tem um sócio! Conseguiu se virar, o pior passou, as coisas acalmaram, ele se sente bem, está aproveitando melhor o tempo! Agora sim, pode ter sossego. Aposentadoria! Será? Bateu a vontade de formar em outra faculdade? Fazer outro curso?


Crise econômica no mundo inteiro! É isso mesmo? Precisará aprender a fazer vídeo chamada por holograma, mais um curso online? Não sabe mexer nisso? Que desespero... a webcam não funciona, o microfone desligado, o gato apareceu, põe os óculos 3D, aiiii, arranhou! Ufa, acabou! Respira Gabriel, você conseguiu, ninguém notou.

Setenta! Ele quer ser útil, poder contribuir, entrar um pouco mais de dinheiro, olha quanta experiência! Em quê? Na vida! Nas mudanças! Mas não tem vaga para idade dele! Ele entra para um grupo 70+, conheceu uma turma interessante, eles saem juntos, um convite para participar de um projeto. Ótimo, #partiuGabriel!


Para um pouquinho Gabriel, descansa. Mas olha lá, seu sobrinho precisa de ajuda na escola. Relaxou...Levanta do sofá! Ele pega um avião, vai “dar uma mãozinha” para o filho em outro país, conhecer o apartamento novo. Vídeo chamada outro convite, outro projeto. Ele escolhe mais uma vez. Mês que vem, ele vai pensar mais sobre se deseja ou não participar daquele evento.


Ueh...? Olha! Acho que tem outro Gabriel lendo esse texto aqui! Uma Gabriela também? Fala para eles que eles não estão sozinhos não! O problema foi lá no início, alguém falou para vocês que aquela escolha iria ser para sempre, iria definir tudo. Mas a gente muda, num é? Os gostos mudam, as necessidades mudam... fiquem aflitos não, é assim mesmo, quer dizer podem ficar aflitos sim, vai passar. Serão muitas dúvidas, muitas escolhas.


É só vocês não acreditarem que felicidade é igual estabilidade, sabe?! Que existe só uma opção, um caminho único, um lugar de chegar e parar. Vocês podem construir à medida que vai andando. Eh! Podem sim. Não dá para prever as coisas, sabe, a gente até tenta, mas não dá não, só algumas poucas coisas. A gente constrói uma bússola, isso ajuda a não se perder e a lembrar do importante. Sabia que até o tal do propósito muda? De tempos em tempos ele vai sendo reformulado, claro, ele acompanha nossas transformações internas. Pois é... quem diria né! Nessa vida, a mudança é constante.


Ei, Gabriel! Ei, Gabriela! Um passo de cada vez, se precisar tem sempre gente para te ajudar, viu?! O caminho com boa companhia é mais fácil e mais divertido! Tchau, pessoal! Qualquer coisa chama! Você consegue, olha lá uma oportunidade chegando.

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